Enfermeiro (Jocimar Pereira)

Um grito ecoa
A dor física é
Ele acompanha ao lado
Firme, forte, de pé

O sofrimento alheio
Ele não pode sentir
Se sente não revela
Há um dever a cumprir

Paciente, por ter paciência
Atende ao seu paciente
Mesmo tendo problemas
Sempre alegre e contente

Sem o Enfermeiro o Médico
Perdido logo fica
Quando não há um por perto
Pedindo socorro ele grita

Sem Enfermeiro o Médico
Não tem como trabalhar
E quando o doutor falta
O Enfermeiro tá lá

Presente na Enfermaria
No Centro Cirúrgico ele está
No posto faz o atendimento
Faz a visita domiciliar

Em nossas horas difíceis
Um Enfermeiro Amigo é bom ter
Feliz quem tem na família
Ele socorre você

Por isso minha homenagem
A esses dedicados profissionais
Na hora da dor estão lá
Não abandonam jamais

Estão na Urgência e Emergência
Do Samu são viajantes
A cada vida salva
Eufóricos, felizes, vibrantes

Ao nosso Deus obrigado
Por este profissional nos dar
Como forma de agradecimento
Quero a todos homenagear
A todos Enfermeiros um abraço
Do Poeta Jocimar

Obrigado Mãe (Jocimar Pereira)



Mãe eu não me lembro
Mas ouvi a senhora contar
Da sua luta por mim
O seu desejo de curar

Só uma mãe pra fazer
O que a senhora fazia
Por três anos lutando
Ao hospital me trazia

Três ou quatro quilômetros
Carregando o filho nos braços
Mesmo cansada da luta
Não demonstrava cansaço

Mãe a Poliomielite agarrou
O seu filho querido
A Paralisia Infantil
Se abraçou comigo

Mas Mãe o teu abraço
É mais forte que ela
E confortado me sinto
Nos braços da mais bela

Mãe chegou mais um dia
De para o hospital me levar
Preciso do tratamento
Talvez eu possa andar

No talvez minha Mãe
Está a tua esperança
De um dia ver andar
Está amada criança

E vamos lá mamãe
Já estou pesado, não importa
Sua esperança está
Na Maternidade Dr. João Mota

O tempo passa e o tratamento
Exige muita disciplina
Acordar no meio da noite
E cuidar também das meninas

É mãe minhas irmãs
Também precisam de carinho
Tem que cuidar também delas
Vai mãe que fico sozinho

São muitas crianças Mãe
Dizem que foi uma tal epidemia
Mas tu não perde esperança
De me ver andar um dia

E lá vamos novamente
Nós dois em caminhada
Tuas pernas, minhas pernas Mãe
Andando por aquela estrada

E mais uma dose de esperança
Da abençoada injeção
Enche de alegria e anima
Mãe o teu coração

Muito pano no dia seguinte
Mãe tinha pra você lavar
Fazia parte do tratamento
Molhado eu não podia ficar

Já estou crescendo Mãe
E ficando muito pesado
A caminhada é longa Mãe
Isso não vai dar resultado

Muitas mães já desistiram
Não está na hora de parar?
Já passo dos três anos, Mãe
Eu não vou mais caminhar

E lá vamos nós dois
Rumo aquele hospital
Aquela mãe não veio hoje, Mãe
Morreu o Fulano de Tal

Certo dia, Mãe
Enquanto você costurava
Uma voz você escutou
Alí sua voz calava

Eu estava de pé, Mãe
E dizia: Mãe bate palma
Uma alegria imensa
Invadiu Mãe, tua alma

Rapidamente nos braços
Alegre você me pegou
E logo correu aos prantos
Para o casa do meu avô

Me colocou de pé e eu
Pedí pra palmas bater
E três passos eu dei
Para as palmas agradecer

O choro de alegria
No semblante de cada familiar
Felicidade e espanto
Porque andou Jocimar

Te agradeço minha querida
Hoje venho te agradecer
Se hoje tenho as pernas
Devo a Deus e a Você

Não importa o que a vida
Hoje venha nos causar
Mãe, nada, mesmo nada
Poderá nos derrubar

Maria Zélia é minha mãe
Mulher forte e guerreira
Amiga, honesta, sincera
Pura, fiel, verdadeira

Nada poderá nos derrubar, Mãe
Nada poderá nos deter
Se até a Poliomielite
Nós conseguimos vencer

Muito obrigado Mãe
Muito obrigado querida
Por duas vezes me gerou
Por mil vezes, és minha vida

Que Deus te dê vida longa
É o que posso desejar
Por muito tempo ao teu lado
Eu quero poder estar
Receba esta justa homenagem, Mãe
Do Teu Poeta Jocimar.

E Nossa Cultura? (Jocimar Pereira)



No Cine Vitória domingo
Eu não podia perder
O tradicional vesperal
Um filme de Karatê

Saudades do Sr Zé Campos
A tudo observar
E na sua sorveteria
Um picolé saborear

Quando o filme era à noite
Antes do picolé
Tinha que saborear
O Espetinho do Pelé

Então chegava o carnaval
Era aquela animação
Muito diferente de hoje
Temos só o Gavião

Turma de Mangueira logo cedo
Os homens fortes da Estiva
Traziam pra nossas ruas
Uma cultura forte e viva

Enquanto isso na Tresidela
Unidos da Ponte a esquentar
Tamborins, surdos e taróis
Para a ponte atravessar

Os índios dos Comanches
Com seus belos rostos pintados
Quando o mestre chamava no apito
Deixavam os foliões assanhados

Lá da Massaranduba um som
No domingo o povo chamava
Batucando, dançando e cantando
Rumo ao centro marchava

Pra onde foi Coroatá
Essa tua alegria?
Porque essa cultura
Deixamos morrer um dia?

Minha Terra a canção
Que nosso boi levantou
Até hoje enche de orgulho
O seu inspirado autor

E pelo jeito que vejo
Há muito o governo sem ajudar
Logo também o nosso boi
Vai na lembrança ficar

Boi do Martelo se foi
Ficou só na lembrança
Nem um espaço sequer
Para lembrar da festança

Com uma história cultural
Que já a algum tempo se deu
Coroatá merecia
Ter um belo museu

Alí poderíamos apreciar
O Boi que Martelo brincou
As letras das belas canções
Que sua grave voz entoou

Um tarol da Unidos da Ponte
A “Ritinta” da Mangueira
Da Massaranduba um surdo
Dos Comanches a Bandeira

E um grande Gavião
No centro do Museu
Pra homenagear a escola
Que até hoje sobreviveu

Para onde vai
Tua cultura Coroatá?
Os escritos dos teus poetas
Onde posso encontrar?

Queria ler algo
Que Jorge Vilson escreveu
Com as 200 canções de Inácio
O que foi que aconteceu?

Os escritos de Dr Manuel
Será que alguém guardou?
Tenho alguns originais
Que a família me presenteou

De Oliveira Marques
Onde um livro posso encontrar?
A bela voz de Joel Guedes
Aonde posso escutar?

Uma bela estátua do Zé
Esse Museu mais belo tornaria
Assim do Zé do Combate nossa gente
Jamais se esqueceria

O sax de Bibiu Balaiada
Ao lado do de Zé Nunes ficaria
E da memória do nosso povo
A história não fugiria

Um banjo, uma viola, um trompete
Uma tuba, até uma bateria
Porque em nossa memória cultural
“Pé de Ferro” existiu um dia

Por isso Coroatá
Memória precisamos fazer
Pra não deixar tua história
Tua cultura morrer

O que passou relembrar
O que ficou preservar
Sem cultura sem identidade
Nós não podemos ficar

Preservemos o bumba boi
E a dança portuguesa
Preservemos as quadrilhas
Mês Junino uma beleza

Pra cultura os governantes
Precisamos despertar
Caso contrário num breve futuro
Tudo se acabará

Sem Boi de Coroatá
Os Poetas acabarão
Sem apoio não mais voará
O nosso lindo Gavião

Aí verdadeiramente
A Terra do Já Teve seremos
E com muita saudade
O samba enredo cantaremos

Acorda minha terra
Acorda Coroatá
Desperta minha gente
Vamos todos despertar
Recebam um forte abraço
Do Poeta Jocimar.