Voo da Vida (Jocimar Pereira)


A vida vai
A vida vem
A vida encerra
Num vai e vem

Vida, vida
Comprida ou curta
Bem realizada, bem vivida
agora a vida, tá definida

Vida, vida
Quando encontrada
Vida perdida
O voo da volta, é o voo da ida

A vida é um sopro
Um vento passageiro
Um dia uma noite
Uma hora, um minuto inteiro
Um piscar de olhos
Um fogo ligeiro
Uma luz perdida                      
Como o apagar do isqueiro

Um estalar de dedos
Um turbilhão de medos
Uma viagem pra voltar
Uma volta que não há
Um avião que partiu
Em pedaços sucumbiu
Os sonhos de voos altos
Lá do alto destruiu


A vida é só um voo
como diz a canção "somos apenas passageiros"
A vida passa ligeiro
Precisamos sempre sorrir
Pois no próximo minuto podemos partir

E pode ser no voar
Pode ser no pousar
No voo da vida pode ser
Que nem seja preciso...DECOLAR

O Sertão Vai Virar Mar (Jocimar Pereira)


O Sertão Vai Virar Mar
Eu ouvi alguém falar
Num recente tempo passado
Que por aqui um dia
A inundação chegaria
Era o futuro anunciado

Não precisa cientista ser
Para a realidade ver
Basta  um simples olhar
Com tanta destruição
Com tanta poluição
O sertão vai virar mar

O ciclo das chuvas era
No controle Outono e primavera
O verão com seu tempo exato
Tempo de plantar e de colher
Uma mudança podemos perceber
A natureza cobrando de fato

Alguém lá atrás anunciou
A atenção de todos chamou
Se não parar a destruição
Derrubada e queimada
Natureza assassinada
Será seca ou inundação

O sertão vai virar mar
Eu  ouvi alguém falar
Acho que foi uma profecia
Tanta seca por aqui
Agua pouca sempre a fluir
Isso jamais acontece um dia

O sertão tá acostumado
Com pouca chuva adaptado
A natureza se adequou
Agua em excesso por aqui
É até pra gente sorrir
Ver isso nunca vou

E o homem “machadando”
Depois a serra usando
E o ar vai poluindo
É progresso precisamos avançar
A tecnologia por aqui vai chegar
E a natureza destruindo

E fomos avançando
Mata adentro derrubando
Fauna e flora destruída
Nascentes afogando
Vidas sufocando
Natureza sem vida

E agora a conta chegou
E alguém me perguntou
O que está acontecendo?
Você tem percebido,
O quanto que tem chovido?
O céu está se enfurecendo?

E aí me veio na lembrança
Que no meu tempo de criança
Eu ouvi alguém falar
Em meio a chuva regrada
Numa terra pouco regada
Que o sertão ia virar mar

Por aqui tá bem molhado
Muitos estão desabrigados
Agua como há tempos não se via
Foi a conta que chegou
Pra quem só desrespeitou
A natureza um dia

Agora é preparar
Pra conta inteira pagar
E começar a entender
Que a natureza vai cobrar
Sempre que o homem falhar
Na missão de proteger

Estamos pagando o preço
De quem lá no começo
Os nossos antepassados
Feriram a mãe natureza
Destruíram a beleza
Os verdadeiros culpados

E a nós restou a missão
De preparar pra futura geração
Afogada não morrer
Cuidar melhor da natureza
Tratá-la com delicadeza
Acordar e perceber

Pra plantar não precisar derrubar
Pra colher não precisa queimar
Por que se assim continuar
Derrubando e queimando
A natureza assassinando
O sertão vai virar mar

O Canto do Bem-te-vi (Jocimar Pereira)

Hoje cedo ouvi
O bem-te-vi que cantava
A princípio achei
Que ele me perguntava
Se eu estava bem
Se bem eu estava

Aquele canto que perguntava
Me deixou lisonjeado
Um pássaro de lindo cantar
Comigo preocupado
Era Deus através dele
Me mostrando o seu cuidado

Podia ser afirmação
O tom daquela canção
Bem ele me viu
Leu meu coração
De frente ao lindo pássaro
Segui minha meditação

Um pássaro que canta
Bem que ele me viu
O bom momento do passado
Que a um instante partiu
A felicidade de ontem
Que no hoje sumiu

E ele canta de novo
Dizendo bem que te vi
A felicidade de quem vê
Quem não deseja partir
Mas num instante estás
Tão distante de mim

E o canto que segue
Me trazendo opções diversas
Num diálogo de três palavras
Uma longa conversa
Que segue pela manhã
Naquela prosa sem pressa

Bem que te vi
Quanto bem faz te ver
Diz o amado a amada
Quanta saudade de você
O bem que faz com os passos
Para o abraço correr

De repente um outro canto
Temos o diálogo quebrado
Um Bem-Te-Vi respondeu
Do outro amigo o chamado
Amigo, pai, mãe ou irmão
Voaram os dois lado a lado

Era apenas um chamado
E eu pensando comigo
Que tinha naquele chamado
Conquistado um novo amigo
E lá se foram os dois
Naquele canto repetido

Amanhã nossa conversa
Poderemos continuar
Quando do amarelo do peito
Do Bem-Te-Vi ecoar
Pergunta ou afirmação
Para mim não vai importar

A natureza nos fala
É só observar
No canto do Bem-Te-Vi
No canto do Sabiá
No verde das folhagens
No balanço do Mar
Nos escritos e poesias
do Poeta Jocimar

Cine Vitória (Jocimar Pereira)


Quanta saudade que tenho
Do passado, da infância
Do meu tempo  de menino
Do meu tempo de criança

Nas tardes de domingo
No cinema o vesperal
Paixão de Cristo era certeza
De lotação total

Bruce Lee o lutador
Apanhava mas sempre no final
Ficava com a vitória
Aplicando um golpe mortal

Do nosso único cinema
Que tinha por nome Vitória
Só resta hoje a lembrança
Como saudade na memória

O picolé do Sr. José Campos
Tinha um sabor especial
Igual o espetinho do Pelé
Em frente ao cinema local

A velha praça testemunhou
De alegria vibrava
Cheia de jovens ansiosos
Que a outra sessão esperava

Houve um tempo em que o cinema
As velhas carteiras tirou
Com aconchegantes poltronas azuis
Mais belo e confortável ficou

Aos domingos sempre estava lá
Indo o cinema prestigiar
A noite só para os adultos
Nem o cartaz podia olhar

A chamada para o filme
Muito me encantava
Quando o locutor José Rêgo
Para o cinema convidava

Enquanto vou escrevendo
Na memória tudo vai voltando
Cada detalhe do cinema
Até a fita quebrando

E quando a fita quebrava
O tempo para emendar
Dava pra na ir sorveteria
E um picolé chupar

Enquanto vou escrevendo
Sinto a necessidade
De ir ao local do cinema
Para matar a saudade

Por um momento eu penso
Que vou lá tudo encontrar
Mas ao chegar no local
Fez minha realidade voltar

A praça não é mais a mesma
No prédio o cinema não há
O Pelé já não vem mais
A sorveteria não está lá

O locutor já não fala suave
Anunciando a sessão
O som da propaganda
Agora é num paredão

Ah, tá tudo diferente
O cinema já está na mão
Dentro do celular
Posso escolher a sessão

Mas não tem graça
Porque que foi mudar?
Fico triste por quem não pôde
No Cine Vitória entrar

Mas me alegro por assistir
Na minha lembrança reviver
Mais uma sessão do cinema
Que José Campos sabia fazer

Foi real e não um fantasma
Fantasma era o nome do operador
Que emendava a fita aos gritos
De quem a sessão pagou

Quem não acredita ainda hoje
O Fantasma aqui está
Procure o Zequinha no INSS
E ele vai te confirmar

Zequinha é o próprio Fantasma
Que jamais um dia assustou
Ao reproduzir o filme, o Fantasma
Muito coroataense alegrou

Por isso resta a saudade
Desses velhos tempos passado
Que ainda hoje presentes
Através do Poeta rabiscado

Obrigado Senhor pela poesia
Que nos permite no tempo voltar
Viajando em letras e versos
Histórias de Coroatá
Escritas pelo teu Filho Poeta
Simples e humilde Jocimar

Livro de Poesias - 100 anos de Coroatá


Estou iniciando os preparativos para a publicação de um livro comemorativo dos 100 anos de Coroatá
O processo começa com a busca de parceiros que queiram contribuir para que esse sonho se realize e possamos eternizar as nossas poesias, principalmente as que homenageiam a nossa cidade, pessoas ou fatos que contribuíram para nossa história nesse primeiro século.

A idéia inicial é lançar o livro comemorativo que terá o título "100 ANOS DE COROATÁ 100 POESIAS DE JOCIMAR".

O que preciso para publicação do livro?
Apoio financeiro para custear as despesas, não tenho nada para iniciar, apesar de ter o mais importante que são as poesias e o dom para escrevê-las, falta recursos para a publicação.

Todos os parceiros terão seus nomes divulgados no livro como forma de agradecimento.

Tenho certeza absoluta que este livro contribuirá muito com a história de nossa terra e principalmente será muito utilizado como didático nas escolas do município, haja vista sempre estar sendo convidado para presenciar estudos escolares que têm como tema as minhas poesias.

Temos ainda o desejo de um outro livro, que se chama "ITAPECURU - LÁGRIMAS E LENDAS', publicado aqui no blog que, com certeza nos possibilitaria uma divulgação além Coroatá, ou seja, nas várias cidades banhadas pelo rio, além de ser uma excelente ferramenta para a conscientização da preservação do rio. Livro que com certeza seria também uma ferramenta para utilização de forma didática, sendo este de um nível de abrangência maior.

Estou abrindo este espaço no blog, coisa que nunca fiz nem para mim mesmo, para uma causa justa e,
se alguém quiser nos ajudar inclusive estrangeiros (nosso blog tem muitos acessos nos Estados Unidos, Alemanha,Portugal, Russia, Japão, Canadá, França, Ucrânia e Índia.) entre em contato através do Email: jocimar.coroatá@hotmail.com ou jocimar.cta@gmail.com

Coroatá - Nove Nove (Jocimar Pereira)


A beira do primeiro centenário
Vamos entrar nos nove nove
Com uma geração esperançosa
Orantes pela fé que move

Fé que move montanhas
E que nos leva ao morro
Nas costas o machado
Belo te quero de novo

Nas costas o machado
Não para quebrar o coco
O machado nas costas
É para lembrar o morro

A tua praça central
Aquela  do cinquentenário
Estará bem diferente
Quando chegar teu centenário

Da velha estação
Nos nove nove só restará
Entregar para os cem
A lembrança do que não há

Não há passageiros
Não há cocadeiros
Não há bolos
Não há laranjeiros

Nos nove nove
Da velha estação
Só o trem incomodando
A nossa população

Mas deixa ele aí
Cometendo os seus excessos
Talvez um dia na passagem
Ele deixe o progresso

Já te imaginou nesses noventa e nove
Sem o trem Coroatá?
Muito silêncio tendo só
O paredão pra incomodar

Deixa o trem passar
Do velhinho sentado à porta
Ele relembra
O tempo que não volta

E tua ponte?
Que ajudou a Tresidela evoluir
Tá firme e forte
Alguns dizendo que ia cair

Meio século de gente passando
Alguns indo outros voltando
No balanço do belo rio
Chega ao centenário balançando

Está chegando o teu centenário
E os nove nove é pra avaliar
O que daremos no novo século
Pra nossa Coroatá

Muito já foi feito
Há muito por se fazer
Bastante pra recuperar
Muito pra se manter

Mas nesta véspera de centenário
Esta terra tem muito que se orgulhar
Da sua gente, do seu povo
Dos seus filhos, Coroatá

Gente humildade, verdadeira
Receptiva, acolhedora
Gente de origem simples
Guerreira, batalhadora

Gente que sabe ser gente
Quando o assunto é o irmão
Gente que não vira as costas
Gente que estende a mão

Por isso minha gente
Vamos comemorar
Por ser a geração presente
Nos Cem anos de Coroatá